«Vencer o cancro é sempre um trabalho colectivo»
Foi já o ano passado que a jornalista Lúcia Gonçalves lançou o seu livro "Vencer o Cancro" em jeito de homenagem aos muitos que contribuíram para um programa de reportagens televisivas, que desenvolveu e apresentou, sobre esta doença. Do extenso trabalho e investigação ficou o respeito e admiração pelos doentes e a sua coragem, o desassossego com as crianças também vítimas da doença, o reconhecimento do poder de um meio de comunicação para transmitir a importância da prevenção, a necessidade de contrariar o tabu ainda existente e a ideia de que "vencer o cancro é sempre um trabalho colectivo" porque "ninguém o vence sozinho".
No ecrã...
Em 2008 a autora estreava a primeira série de reportagens do programa "Vencer o Cancro" nascido do confronto de Lúcia com a realidade da doença no seu próprio núcleo familiar e de amigos. Foram "vários estados de alma, a desinformação, a ignorância e os mitos" que percebeu como "um meio tão poderoso como é a televisão tinha a obrigação de dar ao cidadão comum a informação essencial para o ajudar a lutar concra o cancro".
Três anos depois faz-se um balanço. A par de várias organizações e instituições, o programa foi um contributo para desmistificar o cancro: uma palavra falada mais frequentemente com cada vez mais notícias transmitidas sobre a importância do rastreio, do diagnóstico precoce e de novas formas de tratamento. Permanecem, porém, alguns temas tabu em torno do cancro, sobretudo fora dos grandes centros urbanos onde a falta de informação é maior.
No papel...
Depois da televisão veio a vontade de colocar todos os conteúdos no papel, de „dar mais informação para além da transmitida nos programas“ e, acima de tudo, „perpetuar no tempo a luta dos doentes“. Foi a homenagem de Lúcia a todos os que deram o seu contributo.
O percurso entre a imagem e o texto não foi simples, conta a jornalista. "Foi muito exigente porque tive de fazer outro nível de investigação e de recolha de dados e tive de repetir todas as entrevistas com médicos, doentes, enfermeiros, investigadores". Simultaneamente, recorda, sentia "uma grande motivação pelas paçavras de confiança e de encorajamento" que recebeu ao longo do processo, incluindo a de Júlio Montenegro, o marido e co-produtor da obra que chegou às bancas em Novembro de 2010 e que levou o mesmo nome do programa de televisão: "Vencer o Cancro".
Mas como se vence esta doença? Estando atento a alterações no corpo, levando uma vida saudável, cumprir os planos de prevenção previstos, entre outras medidas. Mas se mesmo assim o cancro bater à porta, é fundamental "não deixar que nos contamine a alma". Há, pois, que "reagir, combater" seja por si próprio como pelo marido, pais, filhos, companheiros, tentando sempre que o cancro seja "parte da vida e não a própria vida". Mais que tudo isto, é crucial "pedir ajuda sempre que for possível" e "evitar o isolamento" porque "Vencer o cancro é sempre um trabalho colectivo e ninguém o vence sozinho".


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